Uso de repelentes em crianças

26 jan

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O blog It Babies conversou a Dra. Daniella Spinato, dermatologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e fellow em cosmiatria e laser pela universidade de Miami (Flórida), sobre o uso de repelentes em crianças.

Nesse bate-papo, há informações muito importantes e alertas que precisam ser observados por nós, antes de fazermos uso do produto em nossas crianças. Confiram na íntegra!

It Babies – Qual a idade mais apropriada para começar a usar repelente? Por quê?

Dra. Daniella Spinatto – A idade mais apropriada para início do uso de repelentes é semelhante a do protetor solar, que é de 6 meses. Antes desse tempo a pele do bebê é muito sensível e o risco de ocasionar alguma reação de irritação/alergia, bem como intoxicação é maior.

I.B. – Antes dessa idade, há algum produto ou substância que pode ser utilizado como repelente?

D.S. – As substâncias mais indicadas para uso antes dos 6 meses são os óleos vegetais como o de citronela, o de soja e o de eucalipto-limão. Entretanto, ainda prefiro orientar a adoção de barreiras físicas durante esse período (mosquiteiros e telas que podem ser impregnados com uma substância chamada permetrina). Muitos países, inclusive, proíbem o uso de qualquer repelente antes dos 2 meses de vida.

I.B. – Em quais partes do corpo deve ser evitado a aplicação de repelente? Quantas vezes o produto pode/deve ser reaplicado ao longo do dia?

D.S. – A aplicação deve ser evitada perto dos olhos, nariz e boca (e em todas as mucosas), em pele não íntegra (com feridas ou infectadas), bem como nas mãos dos bebês pelo risco de contato com a boca. Nunca borrifar diretamente no rosto da criança, muito menos próximo a alimentos e em ambientes fechados. Os pais devem espalhar no rosto da criança com as mãos, levando em consideração que um repelente tem raio de ação de 4 cm. A dica principal é tentar colocar repelente sobre a roupa da criança (garantindo um contato menor do repelente com a pele) e nas áreas expostas, nunca embaixo das roupas.

Em geral, boa parte dos repelentes deve ser reaplicada de 4/4 horas (máximo de 3 aplicações nas 24 horas) e só aconselho seu uso durante o dia, já que à noite podemos lançar mão do uso dos mosquiteiros. Atualmente, existem opções mais cômodas contendo icaridina (derivada da pimenta) que protegem por até 10 horas consecutivas. Ainda assim, só é indicada após os 2 anos, similarmente aos produtos contendo DEET (abreviatura de N-Diethyl-meta-toluamida).  Já o IR3535® (ETIL BUTILACETILAMINOPROPIONATO) está liberado para uso após os 6 meses de vida. 

I.B. – Além do uso de repelentes, o que pode ser feito para prevenir/evitar as picadas de mosquitos nas crianças?

D.S. – O uso de mosquiteiros é mandatório durante o período do sono como barreira física. Eles precisam estar íntegros (sem furos ou rasgos). A colocação de telas protetoras (de preferência impregnadas com permetrina que também pode ser usada nos mosquiteiros) nas janelas e portas também é recomendada. Existem também adesivos com óleo de citronela de liberação lenta que podem ser fixados em objetos como o berço da criança, ou sobre a roupa da criança (nas costas), porém tem raio de ação pequeno. O único incômodo é que o cheiro cítrico para algumas pessoas é intolerável. Outro conselho útil, seria o de evitar o uso de perfumes nas crianças já que as fragrâncias atraem a presença de mosquitos.

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I.B. – Ao comprar um repelente os pais devem estar atentos a quais informações no rótulo?

D.S. – A faixa etária indicativa é fundamental, assim como os cuidados e instruções de uso. A maioria dos repelentes disponíveis em farmácias no Brasil contém até 10% de DEET e tem faixa etária indicativa acima de 2 anos. Dessa forma, existem concentrações diferentes de DEET nos repelentes, sendo que as correspondentes de 11 a 30% só são indicadas para maiores de 12 anos. Portanto, olho no rótulo!

I.B. – Como saber se a criança tem alergia ao repelente?

D.S. – Podemos desconfiar de alguma reação alérgica quando há inchaço, vermelhidão e coceira locais ou generalizadas. A principal preocupação de muitos pais se refere ao risco de intoxicação (cujos sinais de alerta são dor de cabeça, tremores e letargia) que, embora pequeno, é digno de nota.

I.B. – Uma vez picada, que medidas tomar para aliviar coceira e evitar lesões?

D.S. – Existem pomadas/cremes específicos a serem prescritos pelo pediatra ou dermatologista, bem como xaropes para controle da coceira.

CONSIDERAÇÕES/INFORMAÇÕES RELEVANTES:

– As crianças portadoras de asma, rinite alérgica e dermatite atópica necessitam de orientação especializada do pediatra, dermatologista ou alergologista, pois são grupos de risco para desenvolver reações de irritação e alergia com o uso de repelentes. O paciente atópico em crise não deve usar nenhum repelente na pele.

– Em caso de suspeita de reação alérgica ou de irritação, lave com água e sabão imediatamente o local onde foi aplicado o repelente e procure orientação médica.

– O hábito de dormir com o repelente no corpo deve ser combatido, pois aumenta o risco de reaçōes adversas.

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