Como seu filho come? Mal? Demais?

14 nov

alimentação

Sempre estamos ouvindo queixas de pais sobre a alimentação dos seus filhos: uns comem mal, outros comem demais.

O It Babies compartilha com vocês uma entrevista com a nutricionista Karine Durães, especializada em Pediatria pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, para a revista do Meu Prato Saudável©.

Confiram as dicas sobre nutrição infantil e vejam o quanto o papel dos pais é importante nessa tarefa!

Quais são os principais erros que os pais cometem em relação à alimentação das crianças?

O principal erro dos pais é negligenciar a importância da alimentação para as crianças. Não escolher, não ler rótulos, não perguntar aos cuidadores, não se preocupar com o que a criança come, ou como a criança come. A alimentação é uma das bases de uma vida saudável e feliz. A atenção com a alimentação da criança precisa estar no topo das prioridades da educação.

O que você diria para os pais que costumam ceder à mamadeira ou aos alimentos pouco nutritivos, quando a criança se recusa a comer uma refeição mais saudável? Isso é um tipo de chantagem? Deixar a criança com fome até que ela coma funciona?

A criança come por instinto, por preferência palatável, ou por preferência do que já lhe é conhecido. Essa manobra de deixar a criança “com fome” serve para utilizar o apetite para estimular a criança a comer outras coisas diferentes, de sabores talvez não tão apreciados e, claro, para a criança aprender. Tudo isso é educação alimentar. Quando trocamos a alimentação que queremos estimular, a criança recebe mensagens dúbias: ela pode comer, mas se preferir pode tomar a mamadeira, ou outro alimento já conhecido. Não é chantagem, é resposta à mensagem. Ela responde que prefere a mamadeira. Mas, precisamos, como pais, entender que faz parte do nosso trabalho apresentar desafios, alimentos novos, sabores novos. E o desafio e o aprendizado também vêm do limite, com carinho.

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Em geral, as crianças não são fãs de alimentos saudáveis. Você pode dar um exemplo prático de como oferecer legumes, frutas e verduras e qual a quantidade exata que uma criança em idade escolar precisa comer?

O maior segredo é oferecer sempre, e não apenas em formas de purês (as papinhas). Desde o início da introdução alimentar, a criança precisa ser apresentada ao alimento inteiro. Seja para olhar, brincar, provar ou comer com as próprias mãozinhas. Com acompanhamento, claro. Durante a fase de crescimento, os pais precisam dar o exemplo, ofertar todos os dias, nas duas refeições, escolher receitas especiais, levar a criança para a cozinha, etc. As quantidades, segundo a pirâmide alimentar infantil, seriam 3 opções entre essas (distribuídas no almoço e jantar):

Hortaliças:

• 1 colher de sopa de beterraba crua ralada (21g) ou cenoura crua (20g) ou chuchu cozido (28g) ou ervilha fresca (10g) ou couve manteiga cozida (21g)

• 2 colheres de sopa de abobrinha (40g) ou brócolis cozido (27g)

• 2 fatias de beterraba cozida (15g)

• 8 folhas de alface (64g)

• 1 unidade de ervilha torta ou vagem (5g)

• 4 fatias de cenoura cozida (21g)

Na prática, isso significa:

Almoço: 2 fatias de beterraba e 4 folhas de alface

Jantar: 1 colher de sopa de couve refogada e 1 colher de abobrinha

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Vamos falar agora do outro lado, ou seja, das crianças que comem além da conta. Quais são as dicas para os pais? Como dizer “não” sem ficar com peso na consciência?

O primeiro passo, a meu ver, é pensar no comportamento alimentar. A criança belisca o dia todo ou faz refeições? A família senta e come junto? Existem fatores de distração que tiram a atenção da criança do prato? Colocar horários e incentivar o consumo dos alimentos mais saudáveis. Incentivar a refeição em família,  incentivar uma compra divertida na feira, incentivar uma brincadeira que apresente alimentos diferentes, que a criança nunca comeu. Incluir mais vegetais nas refeições, incluir mais frutas frescas no dia a dia. Levar a criança para a cozinha, comer mais em casa e menos em lanchonetes, conversar mais com os pais, brincar e assistir menos televisão. Comer mais comida caseira, arroz, feijão, e variar o arroz e o feijão com outros alimentos deliciosos como batata e grão-de-bico. Já é um incrível começo.

É missão “quase” impossível negar sempre guloseimas e “porcaritos” para as crianças. O que os pais podem fazer a respeito disso, como lidar com chocolates, balas, salgadinhos e outras tentações?

Escolher refeições específicas, ou porções específicas. O ideal não é a proibição total. O ideal é estimular um bom hábito alimentar em casa e, vez ou outra, permitir essas situações. Faça um calendário com a criança e anote os dias da lanchonete, ou da sobremesa especial. Se ele pedir, mostre o calendário e cumpra o que foi combinado. Ou, antes de chegar ao mercado, permita que criança escolha um alimento de seu agrado. Mas, converse antes. Tudo o que é combinado faz parte da relação de confiança entre pais e filhos, diminui a ansiedade e permite a experimentação de “porcaritos” em uma situação ou outra.

Como conscientizar os pais de que NÃO é preciso colocar açúcar em papas e outros alimentos? Quais são as opções mais saudáveis para substituir o açúcar?

Paladar a gente cria. Não podemos determinar o paladar da criança frente às nossas experiências, mas devemos dar a oportunidade para a criança manifestar suas preferências. E o açúcar é um “viciador” de paladar. O problema maior está na dificuldade da educação alimentar posteriormente. Os pais jogam “contra” eles mesmos, já que a criança vai pedir mais alimentos açucarados, e eles terão que dizer não. Uma criança com a glândula responsável pelo sabor doce “super estimulada” tem mais dificuldade em encontrar prazer na doçura de uma maçã.

Qual a recomendação para os pais, frente ao número cada vez maior de crianças e adolescentes que desenvolvem pressão alta precocemente?

Limitar o sal da comida, estimulando os temperos naturais. Buscar o conhecimento “do que combina com o que” (alecrim com frango? frango com sálvia?) para diminuir a necessidade de sal, sobretudo, de temperos industrializados, que geralmente contêm muito sódio. E avaliar os alimentos industrializados que entram na dieta. O maior consumo de sódio vem dos alimentos industrializados. Ler rótulos e saber interpretá-los é importante para esse controle.

Qual o papel dos pais na alimentação dos filhos? Sabemos que mesmo quando os pais comem bem, inclusive frutas, verduras e legumes, algumas crianças insistem em ter uma má alimentação. O que fazer?

Paciência! Lembre-se que você, quando criança, demorou para gostar de certos alimentos, correto? Outra dica é NÃO substituir. A falta da disponibilidade de alimentos não saudáveis induz ao consumo dos alimentos disponíveis. Não deixe o seu filho mandar no fogão! Estimule o consumo em família, cozinhem juntos, falem sobre comida!

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O programa de reeducação alimentar Meu Prato Saudável© foi criado pelo Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo em parceria com Instituto do Coração (Incor), Latinmed e Orientavida e tem como objetivo servir como referência para uma alimentação saudável nas principais refeições do dia da população.

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